segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Querido bicho

Ter um animal de estimação costuma ser objectivo de todas as crianças, ou pelo menos da maioria. Contudo, nem sempre os pais correspondem às suas vontades. As crianças tornam-se adultas e só então têm a real liberdade de adquirir, adoptar ou acolher um bichinho.

Refiro-me sobretudo ao anjinhos de quatro patas, como DeRose lhes chama, os cães, ou aos gatos, estes não tão dados a folguedos.

Mas é um espécime deste último grupo que me leva a escrever, um safadinho peludo, amigo, e companheiro. Um gatinho branco e cinza que todos os dias pára na minha janela para me cumprimentar e quem sabe entrar em casa alheia, caso lhe seja concedida permissão para tal.
 
O seu nome, Faísca, o gato do vizinho, que acrobaticamente e sem hesitar salta da varanda de sua casa para o parapeito da minha janela e desta para a minha varanda. Não raras vezes, quando acordo já ele se encontra lá, e à noite quando chego, bem tarde, o cenário é o mesmo.

Por vezes, depois de muito chamar eu abro a janela e numa primeira atitude despreza-me, olhando para o lado, ou para o céu, como se houvesse algo mais interessante para analisar nesse preciso momento. Faço-lhe uma carícia e ele voltando-se lambe-me a mão, afastando-se de seguida para eu o tentar apanhar, enquanto ele me bate com as suas doces patas almofadadas e me mordisca os dedos. É um felino brincalhão e amigo do vizinho.





domingo, 17 de outubro de 2010

A noite

Saio para a noite fria de Outono, caminhando pelas ruas estreitas de pedra, aprecio o vapor produzido pela respiração. Sentindo o ar na face, esboço um inevitável sorriso, de prazer, pelas coisas mais simples.

A luz forte, amarelada, brinca com a minha sombra enquanto passo a passo anoto o recolher das gentes, trabalhadores que gozaram o seu merecido descanso e que melancolicamente vêem aproximar-se uma nova semana, nova luta.

Os últimos insectos ainda clamam nos campos e a lua altiva distância-se ainda mais do mundano humano. Entre as manchas enegrecidas que são as nuvens, duas ou três estrelas brilham lá do alto, como que se a noite me piscasse o olho. Inspiro de forma profunda e a aragem, agora ainda mais fresca, percorre as vias respiratória com vigor, inundando não só os pulmões, mas todo o corpo e mente com uma lufada de energia.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Corro!

Coloco os phones, pressiono o play dando início a uma batida fluída. Saio para a rua.

Corro! Inspirando o ar fresco que me revitaliza. Inspiro profundamente, inalo vida. Com sorriso nos lábios, sinto a vibração da terra batida sob os meus pés, o contacto com o solo a tempos regulares e os momentos em que flutuo impulsionado entre passadas. Asfalto, terra, relva.

Corro! Sinto o calor do exercício, sinto-me bem. Gente que passa por mim com pressa, a correr, mas sem prazer, a corrida da vida que urge.

Corro! Sem destino, corro por gosto. Sinto a gota de suor que desliza pela testa, corro mais, alongo a passada, levanto mais os joelhos. Salto obstáculos, movimento a cabeça ao ritmo da sonoridade musical.

Corro! Sentindo a brisa marítima bater-me no rosto, movimento os braços coordenadamente, com os punhos fechados mas sem os contrair. Corro solto, mas com decisão. Acelero um pouco, à medida que olho o horizonte, onde o mar acaricia o céu azul.

Corro! A batida cardíaca aumenta, a respiração acelera, esforço-me por manter a frequência da passada.

Paro! O ritmo cardíaco ecoa na minha mente, a respiração ofegante vai amainando e os meus olhos brilham a cada inspiração profunda.