Prazerosa leitura

Como pude andar tantos anos da minha juventude afastado desta actividade deleitosa. Pegar num bom livro, de preferência novo, tactear a capa, sentir o seu odor agradável, a textura das folhas que convidam a um momento de paz enquanto nos embrenhamos numa boa ficção, romance, policial, ou outro.
Tantos minutos, horas, despendidas em filas de espera, nos mais variados serviços, olhando para o tecto esperando desesperadamente que o pequeno mostrador exiba o número que coincide com a nossa senha. Muitas mais viagens de transportes públicos sem um livro de apoio que nos salve da macabra e detalhada conversa que as vizinhas de banco teimam em discorrer. Já para não falar do pobre tempo gasto em frente ao ecrã de televisão que nos ilude e hipnotiza de uma forma realmente assustadora. E tanto que há para descobrir entre páginas.
No Domingo passado, ao regressar do trabalho na minha caminhada descontraída, fui reparando nos cafés e tascas por onde passava. O televisor aos berros, meia dúzia de pessoas à conversa e algumas pobres almas sentadas sozinhas, com o cotovelo apoiado no tampo da mesa, a cabeça pendendo sobre a palma da mão, olhavam o infinito televisivo. E tanto para ler.
A leitura é algo que se induz desde a mais tenra idade, caso contrário a tecnologia de distracção pode tomar o seu lugar, sendo depois uma tarefa hercúlea trazer o livro para o topo das preferência. Recordo que em tempos não me faltava vontade de ler, mas sentia-me aprisionado pela facilidade que era ficar no sofá vendo imagens, na maioria das vezes sem qualquer valor, em transe completo. Tive a sorte de me curar desse mal terrível que é a socialização desajustada via hipnose televisiva. Hoje vivo e trabalho no meio de companheiros como: Eça; Pessoa; Camilo; Quinn; Martel; Zimler; Saramago; Tolkien e tantos outros.
Que se abram os livros.

Comentários

Carlos Sousa disse…
"Tecnologia de distracção" - todas as formas de tecnologia, que directa ou indirectamente, promovem o ócio e, ou aprendizagem, social ou cultural, no ser humano. Exs: Tv, Rádio, Internet, Livros, (sim, porque os livros também são uma forma de tecnologia) etc...

O mal não vem das "imagens que nos hipnotizam", mas das mentes que não as sabem interpretar, e complementar, com outras formas de cultura/viver.

Alguém disse: "Uma imagem vale por mil palavras..." Eu digo, "...mas com mil palavras constroem-se mil imagens..." . Estaremos assim tão errados?
carreira disse…
Radicalismos não levam a "bom Porto". A imagem é inevitável porque é actractiva, mobilizadora, absorvente ... talvez hipnotizante. Com conta, peso e medida não há qualquer senão em ser consumidor de TV, Internet, cinema...
O livro sempre teve, tem e terá o seu espaço próprio. Acredito, que hoje, se lê mais do que ontem e menos do que amanhã.
A televisão poderá ter uma palavra a dizer no que concerne à divulgação do livro e criação de hábitos de leitura. Poderá, apesar de retirar muito tempo útil às pessoas, ser um instrumento potenciador da leitura e do culto do livro. Não posso deixar de salientar o Programa Magazine do canal 2 que presta um bom serviço à cultura em geral e`à leitura em particular.
Marco Santos disse…
Caros colegas, antes de mais obrigado pelos vossos comentários. Não quero radicalizar, não é essa a minha intenção, de modo algum. Faço referência simplesmente à loucura a que chegou o meio televisivo. Relembro o prazer da leitura. Jamais critico quem consome doses televisivas moderadas e seleccionadas. Os meios de comunicação nascidos no século XX são extraordinariamente úteis. Apenas refiro que a televisão é tida como uma dependência para a maior parte das pessoas e não como uma utilidade.
Este post tem como objectivo primeiro glorificar a leitura.

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