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Sinto

Sinto que em minhas veias arde sangue, chama vermelha que vai cozendo minhas paixões no coração. Mulheres, por favor, derramai água: quando tudo se queima, só as fagulhas voam ao vento. Federico García Lorca, in 'Poemas Esparsos' Tradução de Oscar Mendes
Os que chamam rigidez à disciplina dificilmente alcançarão algo na vida.
«Um papagaio de papel só voa alto quando tem o vento contra.» Veronica Hedenmark

Shaktí* (XV)

Cabelos ondulados, filhos da brisa da manhã. Acariciam-nos o rosto quando ela nos sussurra ao ouvido um segredo. O seu perfume inebria o homem deixando-o sem defesas. De corpo pequeno, leve, mas ao mesmo tempo de imenso poder. Flui como um elemento da natureza, movimenta-se com arte. As plateias aplaudem o seu brilho e o doce sorriso. Tal como noutras verdadeiras shaktís A energia brota de si, como uma fonte, Onde o shakta vai beber a sabedoria da vida. --- * Shaktí - Energia, força. Esposa ou companheira no sádhana tântrico. Mãe divina.

Flexibilidade

“Quando nascemos o corpo parece frágil e é todo flexível, quando morremos o corpo fica duro e inflexível. O flexível representa a vida, o inflexível representa a morte. Os galhos de árvores flexíveis se curvam ao vento forte e não caem, as secas e inflexíveis são derrubadas. Pessoas evoluídas são flexíveis em casa, no trabalho e em qualquer lugar vencendo os arrogantes. As inflexíveis criam conflito social e ficam isoladas”  Luis Carlos de Moraes.  

Ainda ontem éramos crianças

Ainda ontem éramos crianças que brincavam como se o amanhã não fosse chegar. Esse amanhã que é hoje e que traz na recordação uma nostalgia dessa inocência, ora perdida, ora resgatada. Ouço os nossos risos, a gargalhada de prazer puro enquanto brincávamos na terra lamacenta, em contraste com um sorriso branco puro e um brilho que deixava antever mil e uma possibilidades. Hoje ainda há resquícios dessa infância em nós, é nesses momentos em que ela vem ao de cima que nos encontram a sorrir abertamente e com o universo no olhar.
«Beija ou morre. Beija a glória ou morre a lutar por ela.» Kilian Jornet
Não há melhor estímulo para a criatividade do que a dificuldade.
Aquele que está disponível para amar está disponível para viver. Não feches o teu coração a sete chaves, pois corres o risco de as perder.

Passar os teus portões

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A tua porta ao longe Parece inalcançável. Frio gradeamento Que impede o meu querer, Imune ao meu desejo. Os degraus que a ti levam São de evolução. Subí-los é iniciático E aprendiz quem os sobe. O sol que aí incide São mãos a acariciar A tua pele. Sento-me nessa velha cadeira, Delicadamente. O ranger corta o silêncio, Espero que abras a porta. Agora que aqui cheguei, espero.

A importância dos sonhos na escrita

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Descoberto no blogtailors .
Há pessoas que cruzam a nossa vida simplesmente para nos fazer ascender a um patamar superior, depois seguem o seu caminho.

Aroma do saber

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Muitos anos envolto entre prateleiras repletas de livros, inebriado pelos aromas do papel e da cola que une esses pedaços de vida. Depois, a distância, a ausência desses espaços no quotidiano. De quando em vez entro numa livraria e é como se sentisse o chamamento de cada um, de cada capítulo, parágrafo, palavra. E entrar assim num ambiente, na companhia de uma amiga, conhecedora exímia das letras, e poder partilhar, e como duas crianças em loja de brinquedos andar de um lado para o outro em euforia. « - Conheces este? E este já leste?! Ó pá...! - Que cheirinho» Pequenos prazeres compartilhados enriquecem o momento.
Há as belas, e as que nos tornam belos.

Voa

Nessas asas de vento te elevas. Flui pelo espaço que te acaricia. O toque da brisa crispa-te a pele, Um frio no estômago dá sinal Da altitude, da possível queda, O medo controla e limita. Mas não, deixa-te subir, O prazer é imenso, Não penses no solo, Todo o teu ser flui, é aqui o teu lugar. Lá em baixo tempo suficiente foi vivido. Sê leve, Sê verdadeiro, E não receies a queda, Só assim chagarás alto. Escrito ao som de Fly , de Ludovico Einaudi.
O sol aquece-me a pele, a lua aquece-me a alma.

Catalisar brilho em olhos apagados.

Abri as portas para ti, deixando-te à vontade para entrar. Apenas aragem percorreu o espaço, Arrefecendo o ambiente. Deixei disponível o meu lar, A minha morada, o meu retiro. Ao olhar pelas portadas, Vejo os montes ao longe, Tanta possibilidade para lá deles, Tanta vida a ser vivida, Sorrisos a despertar. Catalisar brilho em olhos apagados. Continua a entrar somente fresco ar. Espero mais um pouco, Não vens. Parto para lá, Em busca do que aqui não há. Em busca de talvez me encontrar, Em mim!

Perder-me

Viagem de sensações pelo teu corpo Sem mapa, à descoberta, Perdendo-me por prazer. Voltando-me a encontrar nos teus olhos E nesse espelho ver os meus refletidos.
Se o nó que sentes no peito é uma semente, deixa-a brotar. As pétalas serão mais leves e o seu perfume mostrar-te-á o caminho.

Navegar em ti

Navegar naquelas águas esverdeadas até ao fim dos dias. Aconchegado pela natureza presente em cada movimento. Brisa que alto nos eleva, Ciclone que nos desmembra num piscar d'olhos. Dualidade num ser, beleza expressa no todo. No bem e no mal, Na delicadeza e na agressividade. Do rir descontroladamente ao chorar compulsivo. Tanta magia ao alcance de uma palavra, De um sorriso. Tanto olhar na ânsia de brilhar. À espera da deixa.