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Shaktís*

A beleza é o conjugar dos traços físicos com a marca inegável da personalidade. São esses dois pontos que a tornam mais ou menos expressiva, mais efetiva. O que é belo começa muitas vezes num olhar marcante, profundo, que desafia os cânones estabelecidos. De tempos a tempos, a natureza desafia o homem e uma shaktí gerada nas mais recônditas oficinas da criação humana pisa a terra, para mudar o curso do que estava estabelecido como belo até então. Tratados são reescritos, homens enlouquecem, mulheres tem um novo modelo a seguir. Surge uma diva! Vergamo-nos sobre nós mesmos e de joelhos no solo e olhar no céu contemplamos a mãe divina. --- * Shaktí - Energia, força. Esposa ou companheira no sádhana tântrico. Mãe divina.

Artes

Ao escritor que de olhos fechados ouve atentamente uma música é lhe insuflada a inspiração para um texto melhor. Ao músico, a inspiração que sobre a pauta compôs abraçou-o depois de uma pintura vislumbrar. Pintura essa que nasceu de uma escultura que em tempos o pintor admirou. E ao escultor foi a peça de teatro que o elevou e lhe permitiu a criação. Há quem diga que essa peça de teatro brotou do dramaturgo quando este contemplava um monumento que tocava o céu. Ao céu essa obra chegou depois da sétima arte dar suporte ao traço ao arquiteto. Ao cineasta foi o texto do primeiro que serviu de base para a adaptação cinematográfica. Assim, escritor, músico, pintor, escultor, dramaturgo, arquiteto e cineasta numa corrente de parceria criam o mundo, elevam a história e possibilitam o futuro.

Ao redor era o silêncio

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Ao redor era o silêncio… belo, expressivo, feito dos mesmos sons da brisa que uiva na praia numa tímida manhã. A plateia bebia as ondas sonoras, degustava o silêncio conjugado com a arte. Ao redor era o silêncio… um silêncio que em si tudo contém, expresso nas emoções lacrimejantes, ocultas na escura sala. Cada nota que arritmicamente o coração sentia, das alvas e negras teclas se libertavam ao toque do artista que na sua expressão nos leva mais além na beleza de se ser humano.   Escrito ao som de Piano Paris , de Peter Lopes.