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Na escuridão da noite

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Na escuridão da noite Os meus olhos fixam-se no céu, As estrelas brilham distantes. No entanto, sinto o universo em mim. Quantos povos, quantas civilizações Perdidos nessa imensidão. Tantas dimensões invisíveis por apurar E ciência por revelar. Os olhos da carne são cegos Para tanta verdade incógnita. A essência que nos anima sabe tão mais, Mas o denso turva os olhos da alma.

O brilho do amor

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És fruto Da árvore da vida O Universo expande A árvore cresce Tu amadureces Alimenta-te da Energia do sol Cresce Em direção ao céu A tua morada É a mesma De sempre Apenas estás Em viagem Aproveita cada Dia Para quando Regressares A riqueza maior Ser a luz Que portas No peito O amor Que assim Brilha em ti Sinal da  Expansão Da consciência Da compreensão Do todo.

A nossa vida não é aleatória

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A nossa vida não é aleatória. Há toda uma missão que está subjacente, que foi programada antes da nossa chegada. Anos e anos de planificação com os nossos mentores para que aqui estando pudéssemos cumprir os nossos desígnios. E não se trata de destino, pois cada um tem o seu livre arbítrio, cada um tem um caminho traçado, mas sendo submetido a provas o desvio ocorre muito frequentemente. Certamente, ditadores, déspotas, assassinos, não tinham como plano essas barbáries, foi a sua escolha, devido a um maior ou menor grau de influência por terceiros. Nada está mais errado do que dizer: "Eu não pedi para nascer." Não só pediu como clamou, pois é a experiência na carne que lapida o espírito, que promove evolução a patamares superiores. Quando se confrontar com dificuldades não reclame, pense, é a vida a colocar-lhe as provas necessárias para evoluir. As nuvens densas dão lugar ao sol resplandecente, as lágrimas dão lugar ao sorriso aberto. Esta vida é demasiado curta perant...
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Amanhece! Lá fora, alguns galos dão o sinal da alvorada. Os sons, a esta hora da manhã, ainda na obrigação do silêncio, vão-se escutando timidamente. Pela janela aberta entra o ar fresco outonal, repleto da sua magia e cores. As cadelas, após o aconchego matinal do seu humano, farejam os cantos do terraço, na tentativa de perceber quem por ali andou, oculto na noite. O café escuro é bebido a curtos tragos, apreciando entre cada um as tonalidades do seu palato. Deixo assim a manhã chegar, desprendendo-se da noite que foi de descanso. Os miúdos ainda dormem sossegados, os pequenitos, recobram energias que na loucura do dia a dia vão gastando. Em casa o silêncio ainda convida ao descanso e é neste momento que me procuro, seja numa prática de yôga, num momento de meditação ou apenas no contemplar do amanhecer, numa gratidão que me inunda a alma.

O encanto que há em ti

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És um ser de luz em potencial. Há em ti a particula divina que te faculta grandes capacidades. O teu caminho é rumo à descoberta, seja ela longínqua ou para amanhã. Nesse corpo denso, nessas roupagens que agora vestes, deparas-te com tantas limitações, mas é através da superação que te encontrarás. De onde vens, para onde vais? A eterna questão. Mesmo que o futuro se te apresente nublado, sê o melhor de ti. Promove o bem, busca o conhecimento, desenvolve o autoconhecimento. Uma nova terra nos aguarda. Em breve correremos por esses campos a perder de vista, com vegetação fosforescente. A doença, o sofrimento de outrora, serão apenas recordações longínquas. E a luz, cada vez mais intensa, será uma constante.

Ser pai de três

Há quem se espante, Há quem ache corajoso, Há quem ache loucura. Ser pai de três com tão curta diferença de idades é efetivamente trabalhoso, por vezes, extenuante, é verdade. Mais ainda para a mãe. Mas é sobretudo gratificante, belo, e inqualificável. Quem não tem filhos, quer os venha a ter ou não, poderá julgar que o amor que se tinha por um se dividirá posteriormente pelos restantes. Errado! O amor é multiplicado, a cada criança há mais amor, não há escala, não há cem por centos! No peito de um pai cabe mais amor do que átomos no Universo.

Avós

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A vós Que podeis não ter conhecido os vossos avós. A vós Que pouco tempo lhe podeis ter dedicado. A vós Que vivesteis plenamente a sua companhia. Exalto o poder dos avós, A sua ausência subtraí alegria. Sem eles a vida seria pequena. A sua presença traz magia. No regaço da experiência, Quanta brincadeira desmedida, Quanto choro amparado E gargalhadas até à dor de barriga. Tal espelho que reflete No avô brincalhão A criança que agora crescer E que traz mais brilho ao ancião. E na hora da sesta Acontece uma luta de guerreiro Cabeceia ora um ora outro Quem adormecerá primeiro? Feliz de quem tem avós E com eles pode aprender, Uma lição diferente da dos pais, Mas igualmente rica a valer. A vós Que tendes ainda avós Abraçai-os forte. A vós Que podeis não ter conhecido os vossos avós. A vós Que pouco tempo lhe podeis ter dedicado. A vós Que vivesteis plenamente a sua companhia. Exalto o poder dos avós, A sua ausência subtraí alegria. Sem eles a vida seria pequena. A sua presença traz magia. N...

A minha menina

Vieste tão cedo para connosco estar, deixaste tudo em alvoroço. Chegaste a casa ainda tão pequenina, mas com tanta força no olhar. Sorridente, bem disposta, como se tudo o que tinha acabado de acontecer nada fosse, comparado com a tua força de viver e de trazer mais amor a este mundo. De tão pequenina ficavas deitada no meu peito e assim dormíamos toda a noite, juntinhos, batimento cardíaco em uníssono. Ver-te crescer é uma benção, sou grato pelo teu sorriso fácil, aberto, e com dois dentinhos a espreitar para este mundo imenso, que de tão grande assusta, mas que aos poucos vamos abraçando.

Ser Pai

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Durante uma boa parte das nossas vidas somos apenas filhos, até ao dia em que para a maioria o mundo se transforma. Um dia medianamente festivo torna-se então num dia extraordinário. Enquanto filhos não conseguimos compreender a magnitude do ser Pai, o dia 19 de março não passa de mais um dia em que se comemora algo, em que agradecemos ao nosso progenitor e lhe oferecemos um presente. Mas tudo muda quando as festividades são nossas, quando um par de olhos pequenitos e brilhantes nos abraça e diz palavras ensaiadas com a mãe, e eis que o dia 19 do terceiro mês passa a ser dos mais belos. Não que os nossos pais já não merecessem toda a atenção do mundo, mas normalmente o filho nunca valoriza por aí além o dia do pai e o dia da mãe. Perguntem a uma criança se gostam mais desses dias ou do dia de Natal ou dos seus aniversários e a resposta é óbvia. Ser pai é de facto magnânimo, eleva-nos a um patamar de existência desconhecido. Aumenta a nossa responsabilidade, faz-nos crescer. O amor...

Aroma de leitura

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Aquele momento em pego no livro e antes de retormar a leitura o levo junto da face e inalo-o profundamente, fechando os olhos. Sinto olhares desconfiados do lado de lá das pálpebras cerradas, mas assim fico mais uns segundos a reter o alento. Só então expiro longamente e sorrio ao de leve. Há quem compreenda o aroma da boa literatura.

Ânsia de descobrir

Na ânsia da descoberta Empreendeu viagens grandiosas, Pelo mundo conhecido e desconhecido. Aventuras sem fim, Paisagens de contemplação, Riquezas incalculáveis, Amizades fugazes. Mundo percorrido, A ânsia permanecia Levemente saciada, Mas ainda mordaz, acutilante. Percebeu então Que poderia correr todos os mundos, Do imenso universo, E nunca calaria aquela voz. Nova viagem teve início, Sem tempo nem espaço. Ao mais profundo do seu próprio ser, Numa descoberta extraordinária, Que nenhuma viagem por terra, ar, ou mar poderia cumprir. Nessa demanda foi-lhe revelado que no seu ser brotava o universo e este era o seu próprio ser.
Quem não viaja corre o risco de julgar que o mundo é pequeno.

Japa

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Pequeno anjo peludo que por aqui,  nesta terra dominada pelos sapiens bípedes, foste irradiando a tua magia, a tua altivez. Pequeno anjo peludo, de olhar meigo, derrete corações. Encontraste uma amiga que te resgatou de caminho incerto e te proporcionou uma digna jornada. Agora voltas ao teu lugar.  Alado, novamente, contemplas a quantos roubaste uma gargalhada,  um abraço apertado, um carinho merecido. Se nos fosse possível ver-te agora certamente te veríamos sorrir, sim, vocês também sorriem.  Um sorriso de missão cumprida, missão de levar alegria sincera, pura e verdadeira. Até já(pa)!

Tão pequenino

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Tão pequenino e tão grande. Tão pequenino e tão envolvente. Tão pequenino e tanto amor. Olhos grandes, gargalhada contagiante, Passos curtos e apressados, Ainda desajeitados. Palavras soltas quase impercetíveis, Mas já cheias de significado. Pujança de vida nesse pequeno peito, Que alberga um coração enorme, Capaz de alquimias extraordinárias. Assim é um filho, Assim são as crianças, tão pequeninas e com tanto potencial. Passa rápido, dizem. Logo serão adultos. Há então que aproveitar a meninice.

1 ano

Dormes juntinho a mim, o teu pequeno braço sobre o meu, a tua delicada mão que me faz um carinho adormecido. Respiras profundo e dormes tão sossegado. Olho enternecido e vislumbro o teu futuro, as tuas descobertas, os altos e baixos, a alegria do crescimento constante e das conquistas. Hoje fazes um ano, foram 365 dias maravilhosos. E ainda só está a começar. Agora dorme meu menino, amanhã é um novo dia e nós estaremos aqui para juntos vivermos a vida com muito amor. 15 de setembro de 2017 x

Aroma a feno

O dia estava quente e o fim de tarde agradável, com uma ligeira brisa a percorrer o espaço. Quando saiu para o alpendre o aroma a feno fez com que viajasse até à infância, quando vivia no campo. Inalou de forma profunda e um sorriso ligeiro delineou-se na sua boca. Sentou-se num banco baixo e as cadelas, que ali estavam como ele a viver o instante, juntaram-se-lhe. Enquanto lhes afagava o pelo, desde a cabeça até ao dorso, elas como que sorriam e abanavam a cauda de forma pausada, sem agitação, em consonância com o momento. Por instantes, nada mais importou. Apenas a sensação da palma da mão a deslizar naqueles corpos aquecidos pelo sol, e o prazer repartido entre ele e as duas companheiras de pelo liso acastanhado. O sol escorregava para o ocaso lentamente, dando a sensação que descia mais devagar para proporcionar uns minutos extra daquele instante simples e único.

Shaktí* (XX)

De lábios de um vermelho intenso que se abrem num sorriso que abarca o mundo, acolhe-nos. Raiados olhos de expetativa e otimismo, enormes e profundos. Palpita-lhe nas veias a vida, puro entusiasmo e aventura. Fogo constante , força na expressão, confiante e corajosa. Atrevida e sempre disponível para revelar bom humor. As agruras da vida não a esmorece, antes a enaltece. Pela brisa do Mediterrâneo chegam amiúde​ boas novas do Lácio. --- * Shaktí - Energia, força. Esposa ou companheira no sádhana tântrico. Mãe divina.

Shaktís*

A beleza é o conjugar dos traços físicos com a marca inegável da personalidade. São esses dois pontos que a tornam mais ou menos expressiva, mais efetiva. O que é belo começa muitas vezes num olhar marcante, profundo, que desafia os cânones estabelecidos. De tempos a tempos, a natureza desafia o homem e uma shaktí gerada nas mais recônditas oficinas da criação humana pisa a terra, para mudar o curso do que estava estabelecido como belo até então. Tratados são reescritos, homens enlouquecem, mulheres tem um novo modelo a seguir. Surge uma diva! Vergamo-nos sobre nós mesmos e de joelhos no solo e olhar no céu contemplamos a mãe divina. --- * Shaktí - Energia, força. Esposa ou companheira no sádhana tântrico. Mãe divina.

Frescura matinal

E é naquele momento, ao saborear a frescura do orvalho da manhã, dos campos brancos de geada, do frio gélido que a névoa te faz chegar, que pressionas o play e aquela música permite as condições ideais, numa simbiose perfeita para que o teu mais profundo ser, a tua essência, se manifeste. Passando pelas camadas do teu corpo socializado, camada após camada de condicionamento até que à flor da pele tomas conhecimento do todo. O simples torna-se magnânimo, o complexo deixa de existir. Por um momento sentes o pleno, o sorriso é a expressão mais visível desse sentimento, que lá no fundo te eleva grandemente.

Shaktí* (XIX)

De olhar misterioso e semblante de menina, não deixa de transparecer força a sua presença. Uma força subtil, que flui na sua beleza e no seu porte. Quando nos olha podemos facilmente sentir essa envolvência de shaktí, que nos acolhe no seu regaço e cuida. À brisa da manhã os seus cabelos ondulam, assim como ondula o seu corpo em palcos deste mundo, levando a ancestral cultura matriarcal aos que a buscam na senda do conhecimento. No seu rosto encontram-se traços de povos antigos, que lutaram pelo saber e que ela hoje preserva em si. --- * Shaktí - Energia, força. Esposa ou companheira no sádhana tântrico. Mãe divina.