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A mostrar mensagens de 2006

Chocolate

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«Nove em cada dez pessoas dizem gostar de chocolate; a décima está a mentir.»
Brillat-Savarin



Aproveito para desejar um Feliz Natal a todos os visitantes deste blog, com ou sem chocolate.

Loucos

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Já não há loucos. Antigamente, louco era aquele que falava sozinho e que ao passar por nós na rua parecia alheado de tudo o que estava em volta. Hoje é difícil distinguir os loucos das restantes pessoas que usam telemóveis com auricular, pois ambos falam sozinhos e perecem longe do meio que os circunda, esbracejando e vociferando para o nada.
Ganham os loucos pois, desta forma, quem conseguirá distinguí-los?

Amizade

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O que será um amigo? Um verdadeiro amigo?
Existe tal conceito nos dias de hoje? Num mundo em que cada vez mais há mobilidade de indivíduos existirá espaço para a amizade?
Vivemos rodeados de companheiros que julgamos chegados ao peito e quando nos apercebemos já estamos a viver noutra cidade ou país e as supostas amizades anteriores cairam no esquecimento. Quantas vezes não se dá este cenário no decorrer de uma vida.
Quantos amigos já tivemos que julgávamos ser como irmãos e hoje já se diluiram nos recantos da memória. Não por zangas ou supostas incompatibilidades descobertas, mas sim pela falta de contacto, pela ausência de uma conversa sincera, de uma gargalhada verdadeira, de um abraço sentido. Não há aldeia global nem meios de comunicação que substituam um bom abraço.
Tudo isto para dizer que é um enorme prazer quando reencontramos amigos de outrora e após cinco minutos de diálogo nos apercebemos que aquela amizade fez uma ponte entre o espaço e o tempo, como se estes não tivesse…

Sentiste?

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Inalaste o ar fresco, hoje ao sair de casa?
Inspiraste profundamente sentindo a brisa fazer parte de ti?
Viste o céu azul acima da tua cabeça, ocupada com tantas preocupações menores?
Reparaste como aquela andorinha pintava o cenário?
Ouviste os subtis sons da natureza encobertos pelos ruídos de uma cidade que acorda já com pressa? Ouviste?!
Aquele cuco lá longe no bosque que teimava em fazer-se ouvir e dar-te os bons dias com um recital melodioso.
E o toque suave e doce da criança que passou por ti na rua, que com uma mão tocou na tua enquanto a outra era puxada com firmeza pela mão da mãe, atrasada na sua azafama matinal.
Gostaste da fruta fresca e doce que comeste a meio da manhã, ou não te recordas, porque a tua atenção estava focada na exigência de um normal dia de trabalho?

Fim de tarde na praia

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No final de um dia de trabalho: um passeio na praia.
Uma máquina fotográfica por companhia e alguns momentos captados.
Na impossibilidade de os guardar só para mim partilho-os com vocês.

Local: Praia de Canide Norte, Vila Nova de Gaia.

Metamorfose

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Pulsa-me a vida
Meu sangue transporta o fluído
Enérgico da aventura
Contudo o meu corpo socializado
Aguarda a metamorfose
E em breve, alado
Voarei em direcção a mim mesmo.

(Má) Sorte

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«As pessoas com sorte vêem o lado positivo da má sorte»

In: O Factor Sorte, de Dr. Richard Wiseman, editora Dom Quixote.

Momento

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Meditam aqueles pássaros além.
Contemplam o mundo à sua volta,
Do ponto elevado onde se encontram.
O fio eléctrico, que nos traz a modernidade ao lar,
Serve-lhes de poleiro privilegiado.
Serenos, aguardam o momento de debandada,
Em uníssono.
De uma só vez, como num toque mágico,
Todos levantam voo.

Para onde corre esta gente?

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Para onde corre esta gente?
Será que vão a algum lado?
E que pressa levam.
Carrancudos, grande parte.
Impacientes, por vezes, indelicados.
Para onde vai esta gente?
Tentarão acompanhar os ponteiros do relógio,
Na ânsia de aproveitar o tempo?
O tempo não existe,
Só foi inventado para limitar o homem.
Esqueceram que o Sol nasce de manhã e se põe ao fim da tarde.
Basta-me o astro-rei.
Relógio não uso.

mini- saia

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Gosto quando elas vestem mini-saia e depois, na sua doce timidez, passam o dia a tentar puxá-la para baixo.

São 30, amigos.

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E porque não partilhar com vocês o meu 30.º aniversário? Esse belo número, redondo, elegante.
Sinto-me sair da casca... que sensação maravilhosa.
A criança interior começa a travar contacto com o homem, a vida só agora começa.

O ladrão do amor (fragmento)

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Mesmo agora
se a visse de novo
a essa rapariga de olhos de lótus
e de seios opulentos
esmagá-la-ia entre os meus braços
e beberia da sua boca como um louco
como uma abelha insaciável
sugando uma flor...

Bilhana, Índia, séc. XI d.C.


Se todo o ladrão roubasse amor...

E está aí a Primavera, época de assaltos.

Entardecer

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Quem nunca sentiu um prazeroso fim de tarde? Em qualquer local onde se encontre, desde que em contacto com a mãe natureza. No campo, na montanha, à beira de um lago, ou à beira-mar como eu agora. O sol na sua caminhada sensual em direcção ao horizonte. As água que se agitam ansiosas por receber o seu calor, a sua energia criadora, luz de vida.
A brisa que me acaricia o rosto transportando-me para o âmago deste cenário...

Criança interior

Hoje acordei com as crianças, com os seus risos e expressões de contentamento a caminho da escola. Enquanto despertava imaginava o cenário para lá do lusco-fusco do meu quarto, onde meninos de corpo e alma davam asas à sua naturalidade, brincando na cinzenta calçada.
As suas indumentárias de cores vivas reflectiam perfeitamente o seu espírito. Elas são assim, tão diferentes da maioria dos adultos, cinzentos como a calçada por onde as crianças passam coloridas.
Existe uma fase na vida onde a criança que existe em todo o homem deixa de se manifestar, seja por que razão for. Tornando-os em seres sisudos, estressados, carrancudos e impacientes. Envergonhando-se facilmente quando essa criança reprimida se revela.
O amor dos grandes homens está essencialmente na criança que existe dentro deles e que nunca foi ofuscada, nem aprisionada, tendo permissão para se manifestar alegre e profundamente em paralelo com o homem adulto.